sexta-feira, 12 de abril de 2013
A Balada do Tempo
Quero quebrar todos esses relógios, para que eu possa roubar o tempo que me foi tomado. Observar derreter todas essas horas em que passei a ser nada, senão um “tic” aqui e um “tac” acolá. Deixar-me enterrar nas areias dessa ampulheta que possui linhas em minhas mãos. Dessa vida em correnteza; dessa tragédia que, nem tão divina assim, brinca com blasfêmias ao chamar o meu nome todas as manhãs, quando o sol reluz em ouro abstrato, e todas as noites, quando é prata a lua observadora. Quero deixar círculos em todas as esquinas que eu passar, para não me perder quando o tempo estiver se esgotando e eu quiser voltar para casa. Não há bússola que eu possa confiar, porque todas perdem o magnetismo quando estão em olhos que desconheço. Então a areia - da ampulheta - se torna movediça e me quer no chão. Eu, como sou mais que apenas um ponto no deserto, torno-me forte com um impulso pulsante. Meus pés, rastejantes como plantas rasteiras, não alçam voo, mas garantem uma boa caminhada. No calor, deito-me na grama e espero o vento soprar a cantiga do tempo que desaprendi por desapego. Ouço as baladas, ritmadas por ponteiros quebrados, cujos eu não me importo mais, e cantarolo como se o provocasse ao quebrar seu som: “Que venhas, tempo e todo o futuro que te segues. Futuro este que vivo a cada segundo passado; o presente é um detalhe que inventaram para que sejamos gratos pelo o que vivemos agora. E neste momento não tenho tempo. Então que venhas, desgraçado, e traga um assento confortável, pois sua estadia é longa...
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