Já não sei mais o que pensar de nada. Agora está tudo um tumulto, uma multidão no escuro reivindicando uma causa justa, mas dolorosa — infelizmente, para mim. Todos querem sair, eu os quero fora, mas a porta é demasiada estreita para que todos saiam de uma vez. Eles não são pacientes, eu por outro lado também não espero. A urgência é petulante, é parte de nós. Mas estou cansada, exausta de não conseguir abrir de vez essa gaiola e libertar pássaro por pássaro — um por um, até que o cerco que os prendiam esteja aliviado. Pois já tenho tanta dor de cabeça — talvez não literalmente, não sempre — que não suporto mais. Saiam, voem, fujam. Mas não fiquem mais comigo, eu vos liberto.
Fácil seria se meu desejo fosse simplesmente atendido: organizaria uma fila em minha cabeça e cada um iria embora em sua vez. Em vez disso, permanece essa bagunça terrível, esse amontoado de papeis rasgados que formam uma carta sem remetente, mas com destinatários muitos. E tenho uma teoria de que esses ruídos frequentes nos meus ouvidos, quando à noite, onde o silêncio os sopra, seja dos papeis dilacerando, chiando e fazendo da quietude da noite, uma alegoria à tormenta. Como se eu já não tivesse o bastante durante o dia — quando minha cabeça cheia, putrefata, feita aos cacos pelos barulhos urbanos, hora criados, hora reunidos dos momentos mais escuros do dia.
Eu já não aguento nada disso, quero ser imune. Mas custa-me o que não posso prover, pois não sou eu quem decide nada. Aqui sou mera coadjuvante, não sou nada mais que uma personagem muda. Custa-me a voz que por pouco não tenho, e, por falta de uma palavra mais expressiva (o que é um pecado terrível), inspiração — de escrever, de sonhar, de dormir, de respirar, existir [...], que já não me apresenta nenhuma imagem clara do que realmente quero. Quero, mas não sei o que. Aquela vontade interrompida por um “sei lá o que” momentâneo. Eu sinto pena e raiva de mim ao mesmo tempo. É essa uma das causas pelo qual eu já não aguento mais...
Fácil seria se meu desejo fosse simplesmente atendido: organizaria uma fila em minha cabeça e cada um iria embora em sua vez. Em vez disso, permanece essa bagunça terrível, esse amontoado de papeis rasgados que formam uma carta sem remetente, mas com destinatários muitos. E tenho uma teoria de que esses ruídos frequentes nos meus ouvidos, quando à noite, onde o silêncio os sopra, seja dos papeis dilacerando, chiando e fazendo da quietude da noite, uma alegoria à tormenta. Como se eu já não tivesse o bastante durante o dia — quando minha cabeça cheia, putrefata, feita aos cacos pelos barulhos urbanos, hora criados, hora reunidos dos momentos mais escuros do dia.
Eu já não aguento nada disso, quero ser imune. Mas custa-me o que não posso prover, pois não sou eu quem decide nada. Aqui sou mera coadjuvante, não sou nada mais que uma personagem muda. Custa-me a voz que por pouco não tenho, e, por falta de uma palavra mais expressiva (o que é um pecado terrível), inspiração — de escrever, de sonhar, de dormir, de respirar, existir [...], que já não me apresenta nenhuma imagem clara do que realmente quero. Quero, mas não sei o que. Aquela vontade interrompida por um “sei lá o que” momentâneo. Eu sinto pena e raiva de mim ao mesmo tempo. É essa uma das causas pelo qual eu já não aguento mais...
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