Para os que fazem do veneno, caldo, eu tiro o meu chapéu. E ergo para bem mais além dos gritos dos que, indignados, pensam se fazer ouvir por mentes surdas e corações mesquinhos que estão mais para o alto. Para vocês que dormem sorrindo, o corpo tão fresco quanto os pensamentos vazios, eu estendo o meu tapete puído para sujarem os seus pés. Deitem-se sós, entre vocês! Estarei remando enquanto aceno para os que passam, passaram, puderam passar. Deixarei que zombem de seus calcanhares feridos sem interferir, e também que zombem do fardo em seus ombros que carregam com a gravidade agindo para cima, das olheiras que ganharam suportando demais. Deixarei tudo isso enquanto cavo, cavo, cavo, cavo. Daqueles capazes de se amargurar ou reconhecer, roubei as pás. Mas deles não tirei o dia de amanhã e nem lhes consumi o tempo da maneira como devoro o meu. Para todos os que souberam mendigar por uma chance, dou-lhe minha atenção. E que me levem as esmolas, me arranquem o que restar de bondosa compreensão e fujam sem hesitar.
Quanto a vocês que me entenderam...
O meu perdão.
Não lhes trouxe nada.
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